Introdução e objetivos
Hiperglicemia em pacientes críticos associa-se a aumento da morbidade, da mortalidade, do tempo de permanência hospitalar, da utilização de recursos da saúde e custos em geral. Aproximadamente 46% dos pacientes admitidos em UTI, nos EUA, apresentam hiperglicemia nas primeiras 24 horas de internação1. O estudo NICE Sugar mostrou que mais de 80% dos pacientes de UTI apresentam hiperglicemia2. Cerca de 20% a 27% desses pacientes têm um diagnóstico prévio de diabetes mellitus2,3. A restrição de carboidratos tem sido utilizada no sentido de melhorar o controle glicêmico em pacientes críticos. Quantidade e, possivelmente, o tipo de proteína, parecem exercer um papel no controle glicêmico.
Métodos
Populacão
- - Estudo prospectivo, randomizado, “open-label”, multicêntrico, em pacientes críticos sob ventilação mecânica, obesos ou com sobrepeso, necessitando de nutrição enteral (7 centros médicos acadêmicos).
Intervenção
- - Distribuição randomizada: grupo hipocalórico – recebeu Peptamen® Intense, dieta rica em proteína com baixos teores de carboidratos; grupo normocalórico recebeu a fórmula Replete® (tabela 1);
- - Nas duas situações a meta proteica foi de 1,5g/Kg de peso ideal.
Tabela 1 – Características das dietas utilizadas Peptamen® Intense Repletenos grupos estudados
|
Peptamen® Intense |
Repleten® | |
| Densidade calórica | 1,0 Kcal/mL | 1,0 Kcal/mL |
| Proteína (%energetica) | 92 g/L (37%) | 64 g/L (25%) |
| Carboidrato(%energetica) | 76 g/L (29%) | 112 g/L (45%) |
| Gordura (%energetica) | 38 g/L (34%) | 34 g/L (30%) |
Medidas
- - Objetivo primário: número de eventos glicêmicos (> 150 mg/dL ou < 110 mg/dL) nos primeiros 7 dias na UTI; - Dosagens: glicemia, marcadores do status nutricional e de inflamação, insulina e dextrose.
Estatística
- - Tamanho da amostra calculado em 100 indivíduos em cada braço do estudo com base no objetivo primário;
- - Uma análise interina foi feita no presente trabalho, considerando 40 indivíduos que completaram pelo menos cinco dias de coleta de dados. Os dados preliminares são apresentados.
Resultados preliminares
- - 98 indivíduos foram randomizados até o momento da análise interina;
- - 40 pacientes apresentaram pelo menos cinco dias de coleta de dados; os demais foram excluídos primariamente em virtude da remoção da alimentação por sonda.
Tabela 2 – Dados demográficos
| Grupo Hipocalórico | Grupo normocalórico | |
|
Idade (anos) |
60,7 ± 15,1 | 62,6 ± 12,1 |
|
IMC (Kg/m 2) |
33,7 ± 4,6 | 32,5 ± 5,7 |
|
Mulheres (%) |
21 (42,9%) | 27 (55,1%) |
|
Escore de APACHE II |
25,1 ± 9 | 26,3 ± 9,2 |
|
Meta proteica (g/dia) |
95,2 ± 17,8 | 92,8 ± 18,8 |
Material exclusivo para profissionais da saúde. Proibida a distribuição aos consumidores.

Glicemia
- - Não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos na variação da glicemia na faixa de 110-150mg/dL;
- - A média da glicemia foi significantemente menor no grupo hipocalórico em relação ao normocalórico (128 [114, 143] versus 140 [125, 158], P=0,0443);
- - A média de glicemia diária foi significantemente menor no grupo hipocalórico nos dias 2, 3 e 4 (P < 0,05; figura 1);
- - Pacientes que receberam a fórmula hipocalórica apresentaram significantemente mais níveis de glicemia entre 81-110 mg/dL e significantemente menos níveis > 150 mg/dL quando comparados com o grupo normocalórico (figura 2);
- - Não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos quando se considerou hipoglicemia (glicemia < 81 mg/dL);
- - Os dados referentes à ingestão de nutrientes nos dois grupos estão assinalados na tabela 3



Insulina
Houve uma diminuição estatisticamente significante na incidência de administração de insulina no grupo hipocalórico (delta = - 12%, P = 0,044).
Eventos Adversos
Houve uma morte no grupo hipocalórico e seis mortes no grupo normocalórico (P = 0,11). Nenhuma relacionou-se com a dieta.
Conclusão
Os resultados do presente estudo preliminar sugerem que uma fórmula hipocalórica e rica em proteína pode favorecer o controle da glicemia ao reduzir os episódios de hiperglicemia, diminuir a utilização de insulina e normalizar os níveis de glicemia em pacientes críticos.
Referências bibliográficas
1. Badawi et al. Crit Care Med 2012; 40:3180-3188.
2. The NICE-SUGAR Study lnvestigators. N Eng/J Med 2009;360:1283-97.
3. Carpenter et al. Crit Care Med 2015: 43:e541-e550. Apresentado na Clinical Nutriti on Week, 2017, Orlando. Apoio da Nestlé Health Science. Nestlé® é uma marca registrada da Société des Produits Nestlé S.A., Vevey, Suiça.
Hiperglicemia em pacientes críticos associa-se a aumento da morbidade, da mortalidade, do tempo de permanência hospitalar, da utilização de recursos da saúde e custos em geral. Aproximadamente 46% dos pacientes admitidos em UTI, nos EUA, apresentam hiperglicemia nas primeiras 24 horas de internação.
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