Existem dois pontos muito importantes no processo de envelhecimento: a perda de massa muscular e a perda de massa óssea (que pode ser chamada de osteosarcopenia), conceito ainda novo no Brasil.
Relação músculo e osso – Osteosarcopenia1
Essas duas condições impactam muito na condição do quadro clínico do idoso. O cálcio, a vitamina D e a proteína são fatores que influenciam muito na manutenção e no ganho da massa muscular, assim como na saúde óssea.
Aspectos Nutricionais
Fatores de Risco da Osteoporose:2
- A idade avançada;
- Dados antropométricos;
- Fratura prévia;
- História familiar de fratura de quadril ou osteoporose;
- Tabagismo;
- Consumo de álcool;
- Uso crônico de glicocorticosteroides;
- Artrite reumatoide e outras causas secundárias de redução da massa óssea (de acordo com o sexo e a origem étnica)
Fatores de risco da Sarcopenia:3
- Desnutrição;
- Capacidade de regeneração dos tecidos reduzida;
- Atividade física limitada;
- Diminuição na produção de hormônios;
- Síntese proteica comprometida.
Prática clínica como diagnosticar a sarcopenia?
Para encontrar os casos, o instrumento que pode ser utilizado é o SARC-F. Com o SARC-F alterado, pode haver uma provável Sarcopenia. Já para fazer o refinamento, deve-se utilizar a preensão palmar.
Sarcopenia: Como avaliar a força muscular?4
Hangrip Strenght (Força Preensão Palmar com dinamômetro) Pontos de Corte (Consenso Europeu, 2018)
- Homens : < 27 kg / força
- Mulheres : < 16kg / força
Pontos de Corte Brasileiro
- Homens: 24kg / força
- Mulheres: 16kg/ força
Como diagnosticar a Osteoporose?1
O diagnóstico da Osteoporose é realizado a partir do exame de densitometria óssea.
Intervenções
A Osteopenia e a Osteoporose podem ser consequências do não atingimento das recomendações de cálcio. Uma orientação dietética e ajustes na alimentação realizados por um profissional podem auxiliar nisso.
Cálcio5
A orientação precisa ser realizada e a meta não é difícil de ser atingida, mas ela precisa ser um pouco mais organizada, porque os produtos lácteos precisam voltar a fazer parte da dieta dos pacientes idosos.
Veja na tabela abaixo quais alimentos ricos em cálcio podem ser introduzidos na dieta do paciente:
Biodisponibilidade7
Alimentos que interferem na biodisponibilidade do cálcio (evitar comê-los junto com alimentos que são fontes de cálcio).
O que atrapalha?
- Ferro: presente principalmente na carne e no feijão;
- Cafeína: presente no café, chá, chocolate e refrigerantes;
- Fitatos: presente no amendoim, arroz integral, aveia, proteína da soja, ervilha seca, feijão branco e farelo de trigo.
A vitamina B12 é uma vitamina hidrossolúvel e sintetizada exclusivamente por micro-organismos. É encontrada em todos os alimentos de origem animal, especialmente em leite, carne e ovos. Sua deficiência é muito comum principalmente entre pessoas idosas e indivíduos que adotam uma dieta estritamente vegetariana. A deficiência dessa vitamina pode ocasionar transtornos hematológicos, neurológicos e cardiovasculares, além de diminuir a massa óssea, por isso, é importante para a manutenção dos ossos.
Veja na tabela abaixo os alimentos ricos em Vitamina B12 que podem ser introduzidos na dieta do paciente:
Teor de vitamina B12 nos alimentos:9
- Para ser absorvida, a Vitamina B12 necessita do ácido clorídrico do estômago e do cálcio;
- Os vegetarianos precisam obter a vitamina B12 de fontes não-dietéticas.
Ingestão diária recomendada para adultos e idosos: 2,4 mcg.
Vitamina D10-13
A vitamina D, ou colecalciferol, é um hormônio esteroide, cuja principal função consiste na regulação da homeostase do cálcio, formação e reabsorção óssea, através da sua interação com as paratireoides, os rins e os intestinos.
A principal fonte da vitamina D é representada pela formação endógena nos tecidos cutâneos após a exposição à radiação ultravioleta B.7,9Uma fonte alternativa porém menos eficaz de vitamina D é a dieta, responsável por apenas 20% das necessidades corporais, mas que assume um papel de maior importância em idosos.
Proteína15-17
A ingestão de proteínas é importante para o organismo devido à necessidade da presença de aminoácidos para importantes funções estruturais, motoras, metabólicas, hormonais e imunológicas.
As proteínas podem ser encontradas em:
- Fontes animais, tais como: carnes, peixes, ovos e produtos lácteos;
- Grãos, frutas, vegetais e nozes;
- Suplementos nutricionais.
O leite de vaca é uma fonte altamente biodisponível de proteína, sendo composto por 80% de caseína e 20% de soro do leite.
O soro do leite ou Whey protein é uma das proteínas com maior valor biológico, devido à sua rápida digestibilidade. Ele possui um alto teor de aminoácidos, tanto não essenciais, quanto essenciais, que são os aminoácidos ramificados (BCAAs), com propriedade de estímulo à síntese proteica muscular.
O fracionamento das proteínas durante as refeições é um fator crítico para a sua síntese mais eficiente.
- Para manter e recuperar a musculatura: 1,0g a 1,2g/kg/dia.
- Para uma dieta anabolizante: 25 a 30 gramas de proteína em cada uma das refeições principais, com 2,5 a 2,8 gramas de leucina.
- As fontes de proteínas, o tempo de ingestão e a suplementação de aminoácidos, devem ser considerados ao fazer recomendações para a ingestão de proteínas na dieta dos idosos.
Infelizmente não são todos os idosos que conseguem ingerir 30 gramas de proteínas por refeição. O desafio é tentar, não necessariamente os 30 gramas, mas sim a quantidade de proteína que conseguir colocar para essa nossa população, além de realizar uma distribuição um pouco mais igualitária nessas três refeições principais, bem como utilizar os intervalos, para que se possa trabalhar qualquer tipo de alimento fonte de proteínas, ou uma suplementação, caso necessário.
Resumo:
Alimentação na perda de massa óssea e muscular
- Ingestão de proteínas - manutenção da massa muscular
- Vitamina D - saúde óssea e muscular
- Cálcio - osso
Referências bibliográficas
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